A expectativa de vida e os planos de previdência
As pessoas estão vivendo mais, e isso significa que elas terão de se preparar melhor, sobretudo financeiramente, para gozar destes anos extras obtidos pela linha do tempo.
No Brasil, a expectativa de vida é de 68 anos para homens e de 76 para mulheres. Para os que chegam aos 60 anos, a esperança de vida é ainda maior. Neste caso, as mulheres ganharam mais 23 anos e os homens, 19.
E a tendência é que esses números continuem aumentando, graças aos avanços da medicina e à melhoria na qualidade de vida da população.
O número de idosos no país já alcançou 10% da população total e estima-se que para 2020, o Brasil terá 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos.
Na outra ponta, a taxa de fecundidade vem diminuindo ao longo dos últimos anos e hoje já está abaixo do nível de reposição.
Desta forma, o futuro financeiro do indivíduo, torna-se bastante desafiador.
Segundo o dicionário, “previdente” é aquele que toma medidas antecipadas para evitar transtornos. Neste caso, devemos entender como transtorno, a provável incapacidade da aposentadoria do INSS atender a todos de forma contínua, crescente e igualitária, sem mudanças estruturais nas regras.
Contar apenas com o sistema público de previdência parece ser um risco muito grande para ser assumido. Hoje em dia, no Brasil, a previdência pública continua sendo o carro-chefe da aposentadoria, com 20% das contribuições, ou seja, 10 vezes mais que os recursos que vão para a previdência privada (2%). Mas a tendência é que esse viés mude rapidamente. Cada vez mais, a procura pelos planos do tipo PGBL e VGBL vem aumentando.
Pense já na sua aposentadoria. Com alguma disciplina financeira, a transição para esta fase da sua vida pode ser mais simples, sem grandes privações e sustos.
O que é:
A Previdência Privada é um sistema de aposentadoria que não está ligado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mas que acumula recursos que garantem uma renda mensal especialmente no período em que se deseja parar de trabalhar. Num primeiro momento, era vista como uma complementação da previdência oficial, mas como o benefício do governo tende a ficar cada vez menor, muitos adquirem um plano como forma de garantir uma renda razoável ao encerrar sua carreira profissional. Todo setor de previdência privada é fiscalizado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão do governo federal. Os planos de previdência podem ser contratados por qualquer pessoa ou por empresas para seus funcionários.
Nos planos de previdência privada, é possível escolher o valor da contribuição e a periodicidade em que ela será feita, mas o valor que receberá quando começar a fazer uso dessa previdência será proporcional ao que contribuiu.
Ao contrário da Previdência Social, o valor investido em um plano de previdência privada pode ser resgatado pela pessoa em caso de desistência. É importante estar atendo na contratação do plano quanto à cobrança de impostos. Existem duas opções, uma delas é a tabela regressiva, que favorece o resgate do dinheiro de uma só vez e a outra é a tabela de impostos progressiva, mais vantajosa para aquelas pessoas que querem receber a quantia investida em forma de parcelas mensais.
Modelos de Planos:
Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) – É recomendado para pessoas com renda mais alta que fazem a declaração do imposto de renda pelo formulário completo. O valor pago ao plano pode ser abatido no Imposto de Renda (desde que esse valor represente até 12% de sua renda bruta anual), mas quando o dinheiro é sacado, o imposto pago é referente ao total que havia no fundo. O resgate pode ser feito no prazo de 60 dias de uma única vez ou em parcelas mensais.
Uma de suas principais vantagens está na possibilidade de se optar, já na adesão ao plano, pela idade de quando se começará a receber o rendimento investido. Também há a possibilidade de se contribuir com quantias variáveis, podendo se fazer um aporte maior quando houver disponibilidade. O valor acumulado pelo participante também pode ser sacado há qualquer momento.
Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) – A diferença para o PGBL é que ele não pode ser abatido no Imposto de Renda. Porém, quando o dinheiro é sacado, o imposto cobrado é sobre o rendimento do dinheiro investido. O VGBL é aconselhável para quem não têm renda tributável, já que não é dedutível do Imposto de Renda, ainda que seja necessário o pagamento de IR sobre o ganho de capital. Nesse tipo de produto, também não existe uma garantia de rentabilidade mínima, ainda que todo o rendimento seja repassado ao integrante. O primeiro resgate pode ser feito no prazo que varia de dois meses a dois anos. A partir do segundo ano, também pode ser feita a cada dois meses. Possui taxa de carregamento de até 5%.
Taxas cobradas
As empresas de previdência privada costumam cobrar três tipos de taxas dos participantes: carregamento (sobre cada contribuição), gestão (anual) e saída (no momento do resgate). A taxa de gestão varia no mercado nacional de 0,5% a 4% ao ano e incide sobre o patrimônio acumulado no fundo. Um custo que não pode ser desconsiderado na hora da escolha do produto. As taxas de saída são de 0,38% em relação ao valor acumulado. Algumas empresas optam por não cobrar a taxa de saída sobre o resgate das aplicações. Tem a garantia de uma rentabilidade mínima e correção monetária no período da aplicação. Entre as opções existentes no mercado, costumeiramente se aplica a variação do IGP-M acrescido por juro de 6%.
Em resumo, a previdência privada não deve ser encarada apenas como uma aposentadoria, mas também uma excelente opção de investimento de longo prazo.
Publicado em: 22.12.2008
Fonte: Chrinvestor





